Adultos que cresceram na década de 1970 sabem lidar com crises como poucos - e isso não tem necessariamente relação com a maturidade que o passar dos anos traz. O contexto histórico, cheio de conflitos sociais, econômicos e políticos diferentes, também ajudou essa geração a criar resiliência.
Passar a infância ou a adolescência na década de 1970 significava crescer em um mundo com mais incertezas e menos acesso à informação. Não se trata de glamourizar as defasagens da época, mas de reconhecer que essa exposição precoce a cenários instáveis ajudou em processos de adaptação.
Resolver problemas com menos recursos, o contato com a frustração e a necessidade de improvisar são questões que as mais novas gerações precisam lidar em menor escala - mas tudo isso é necessário para o resto da vida.
Além disso, os laços sociais se firmavam de maneiras diferentes. A família e a vizinhança desempenhavam um papel muito mais presente como rede de apoio e era difícil encontrar algo que suprisse essa falta. Atualmente, contar com o suporte de pessoas amadas e de confiança ainda é essencial, mas a tecnologia e o conhecimento também apresentam novas soluções.
Os jovens da atualidade lidam com os desafios da tecnologia e a pressão imediata por resultados. Existe um novo tipo de aprendizado emocional que ainda estamos compreendendo - e em tempo real. Com a efemeridade dos tempos atuais, a nova geração sente dificuldade ao se deparar com crises mais prolongadas, uma habilidade que os crescidos na década de 1970 sabem administrar melhor.
Eles são fruto de um tempo onde a velocidade das coisas era menor e desenvolver a paciência era a única opção. Os adultos crescidos nos anos 1970 estão mais acostumados com a ideia de que as soluções não são imediatas, o que ajuda a afastar a ansiedade.
Diversos estudos de universidades ao redor do mundo afirmam que os que cresceram em ambientes desafiadores desenvolvem maior confiança em sua capacidade de adaptação. Um exemplo disso é a obra da psicóloga estadunidense Ann S. Masten, conhecida por pesquisar o desenvolvimento da resiliência e o impacto disso em crianças e famílias.
Segundo a Psicologia do Desenvolvimento, corrente que estuda como o ser humano muda e se transforma ao longo da vida, os adultos crescidos nos anos 1970 não evitam emoções negativas, mas não deixam que elas as paralisem. Eles tendem a se concentrar no que podem controlar e a aceitar o que não podem.
Essa aprendizagem emocional precoce nos ajuda a compreender as diferenças e, principalmente, a construir pontes entre jovens e adultos. É importante destacar que ambos têm pontos fortes distintos - e que há muito a se trocar entre eles!
(com informações do jornal argentino Los Andes)